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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Tratamento de Efluentes na Indústria de Galvanoplastia

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tratamento de efluentes na Indústria de galvanoplastia
Pedro Cavalcante Da Costa Neto*

RESUMO: As indústrias que realizam atividades galvânicas são consideradas de grande impacto ambiental, devido os processos realizados nesta indústria, bem como também devido à natureza tóxica das matérias-primas e consequentemente dos resíduos gerados. Também pode-se caracterizar tais processos pelo alto consumo de energia, água e insumos. Tais processos geram efluentes com elevados teores de metais pesados e quantidade elevada de materiais dissolvidos e suspensos, ocasionando altos valores de turbidez e cor. Devido a tais características os efluentes das industrias galvânicas requerem processos eficientes para alcançar os níveis de concentração e parâmetros físico-químicos exigidos pela legislação ambiental. Este contexto determinou o problema da pesquisa. O objetivo geral proposto foi analisar alguns dos principais métodos utilizados no tratamento dos efluentes desta indústria, como a precipitação química, extração líquido-líquido, coagulação e floculação, dentre outros, e sua eficiência e métodos de gestão ambiental. Visa-se, com este trabalho, também analisar a legislação ambiental que, além de controle e fiscalização, pode ser um indutor para implantação de sistema de gestão que contribui diretamente para a melhoria do desempenho ambiental em industrias com alto impacto. Para realização da pesquisa optou-se pela revisão bibliográfica. Os resultados da pesquisa demonstraram que a implantação dos métodos de tratamentos adequados, pode reduzir os níveis de poluentes aos níveis determinados pela legislação. Mostrou também que a implantação de um sistema de gestão ambiental, pode denotar em resultados significativos, além de proporcionar segurança no atendimento da legislação, promove redução de custos ambientais, melhora o desempenho ambiental, a produtividade e a competitividade das indústrias desse ramo.


Palavras-chave: Indústria 1; Galvanoplastia 2; Processo galvânico 3; Metais pesados 4;
ABSTRACT: The industries that perform galvanic activities are considered of great environmental impact, due to the processes carried out in this industry, as well as due to the toxic nature of the raw materials and consequently of the generated residues. These processes can also be characterized by high consumption of energy, water and inputs. These processes generate effluents with high levels of heavy metals and high amount of dissolved and suspended materials, causing high values ​​of turbidity and color. Due to such characteristics the effluents of the galvanic industries require efficient processes to reach the levels of concentration and physico-chemical parameters required by the environmental legislation. This context determined the research problem. The general objective was to analyze some of the main methods used in the treatment of effluents from this industry, such as chemical precipitation, liquid-liquid extraction, coagulation and flocculation, among others, and their efficiency and environmental management methods. The aim of this work is also to analyze environmental legislation that, in addition to control and inspection, can be an inductor for the implementation of a management system that contributes directly to the improvement of environmental performance in industries with high impact. For the accomplishment of the research we opted for the bibliographical revision. The research results showed that the implementation of appropriate treatment methods can reduce pollutant levels to levels determined by legislation. It also showed that the implementation of an environmental management system can denote significant results, as well as providing security in complying with legislation, promotes reduction of environmental costs, improves environmental performance, productivity and competitiveness of industries in this field.
 
 
Keywords: Industry 1; Electroplating 2; Galvanic process 3; Heavy Metals 4;

 INTRODUÇÃO
É correta a afirmativa de que a indústria de galvanoplastia tem papel essencial na progressão de vários outros setores, especialmente nas indústrias metalúrgicas e na construção civil, que necessitam do tratamento consistente no revestimento realizado pelas indústrias de galvanoplastia, tendo em vista que é esse o tipo industrial que possibilita o recobrimento de superfícies metálicas com metais diversos, permitindo assim um aumento na resistência à corrosão de peças utilizadas nos já mencionados setores.
A indústria de galvanoplastia geralmente se utiliza de metais como cádmio, níquel, crômio, cobre, zinco e estanho para o revestimento das peças, de modo que peças de metais mais baratos possam elevar sua resistência e consequentemente agregar valor ao material, além de também, deixá-la mais bonita visualmente.
Para que esse processo de revestimento metálico aconteça é preciso que a peça passe por diversos banhos com soluções ácido/base que contém grandes porcentagens de metais pesados, como no caso do cianeto de potássio, que é extremamente nocivo para a saúde humana, sendo ele um dos metais mais utilizados no processo e que acabam ficando na água que é utilizada no processo.
O processo galvânico pode ser resumido em três etapas: Pré-tratamento, tratamento e pós-tratamento. O pré-tratamento consiste em limpar totalmente a superfície da peça para que assim ela tenha aderência, melhorando a aparência do metal que será depositado. Geralmente é realizado por lixamento, polimento, decapagem e jateamento para remover graxas, tintas ferrugens etc.
Na etapa de tratamento a peça passa por diversos banhos para que a mesma adquira uma fina camada metálica. A peça é ligada ao polo negativo de uma corrente contínua, tornando-se o cátodo, quando acontecerá a redução e a peça receberá elétrons e, assim, recebendo a deposição do metal.
No pós-tratamento ocorre o processo de lavagem, que é quando a peça recebe um banho com água fria ou quente, sendo posteriormente seca e emergida em banho de óleo para que seja embalada. Finda as etapas, a peça recebe uma pintura ou envernizamento.
Existem diversos tipos de técnicas que são utilizadas para tratar efluentes da indústria galvanoplástica, tais técnicas retiram os metais pesados das diversas soluções utilizadas, para que sejam lançadas nos cursos d'água de forma adequada. Técnicas como precipitação química, coagulação-floculação, flotação, troca-iônica, adsorção, dentre outras.
Cada técnica tem vantagens e desvantagens e a escolha do processo de tratamento é baseada na viabilidade técnica e econômica, porém, o método mais utilizado nas indústrias galvânicas é o de precipitação química. Uma das principais vantagens dessa técnica é devido ao baixo custo de reagente, fácil operação e a elevada remoção de constituintes dissolvidos, sem olvidar, claro, que a manutenção dos equipamentos é mais simples quando o objetivo é estritamente tratar os efluentes.
Esse método de tratamento de efluentes industriais consiste na elevação do pH, promovendo condições de baixa solubilidade dos hidróxidos dos metais, que se precipitam sob a forma de hidróxidos ou complexos diversos.
Desse modo, tem o trabalho, como objetivo, buscar, conhecer e visualizar aplicação de tecnologias de tratamento de efluentes capazes de diminuir a geração de resíduos industriais, através da eliminação ou recuperação dos metais pesados presentes, para futuramente serem reutilizados, promovendo assim, benefícios para a saúde, para o meio ambiente e também econômico.
Atualmente é perceptível a constante necessidade de se opor à poluição e a degradação das nossas fontes de recursos naturais, degradação esta constante e em massa, principalmente quando se trata do uso dos recursos hídricos, sendo este um dos mais preciosos recursos que temos.
É necessário que se questione se as indústrias, como principais emissoras de poluentes dos mais diversos tipos, estão utilizando métodos de tratamentos adequados e eficazes.
Desse modo, o problema proposto é definir quais são os métodos de tratamento utilizados e determinar se são de fato adequados e eficientes, respondendo à pergunta: o tratamento dado aos efluentes líquidos na indústria galvânica é suficiente para evitar a poluição do ambiente e evitar danos à saúde humana?
O tipo de pesquisa realizado neste trabalho foi uma revisão de literatura sobre a importância que tem o tratamento dos efluentes da indústria de galvanoplastia. Baseia-se em artigos, dissertações, livros e revistas voltadas para a área industrial galvânica, publicadas no decorrer dos últimos 25 anos, foram usados como mediadores de fonte de pesquisa o Google e Google Academic.
Para facilitar a busca do material de estudo, foram usadas palavras-chave como: “indústria, galvânica, química, efluentes, tratamento, controle e processos”.
No primeiro capitulo será abordado assuntos pertinentes a atividade galvânica no modo geral, bem como seus principais processos e poluentes gerados no decorrer do processo e suas implicações ao meio ambiente.
No segundo serão verificados os modelos de tratamento mais utilizados e sua eficácia, e também verificar sua conformidade com os parâmetros legais que tratam o tema.
No terceiro serão verificadas as maiores implicações desse modelo de indústria para a saúde humana e ambiental e as disposições legais acerca do tema.

METODOLOGIA
Para fins explicativos acerca dos temas que envolvam as implicações do processo de galvanoplastia no meio ambiente, bem como o resultado da degradação ambiental e seus impactos na indústria e para os seres humanos ao longo dos anos, será utilizado o método de revisão bibliográfica, por meio de artigos científicos voltados para o tema, revistas científicas, livros, entre outros.
Para a descrição do processo, bem como a descrição da real destinação dos efluentes e o modo como são realizados, será utilizado o método de pesquisa nos órgãos de controle, e, principalmente, pesquisa bibliográfica e revisão de literatura.
E, para fins de demonstração dos impactos resultantes da galvanoplastia no solo, na água, para a saúde humana, enfim, para o meio ambiente em geral, serão realizadas comparações, tendo por base dados estatísticos revelados pelos órgãos competentes, no intuito de se alcançar resultados concretos, atuais e de fontes seguras.

ATIVIDADE GALVÂNICA
O processo galvânico geralmente consiste na deposição de uma fina camada metálica sobre uma superfície, que pode ser metálica ou plástica, por meios químicos ou eletroquímicos, a partir de uma solução diluída do sal do metal correspondente, para que assim seja conferido um efeito decorativo e ou maior proteção da superfície.  Na figura 1 é possível observar o fluxograma genérico do processo galvânico, permitindo visualizar as etapas para a preparação das peças até o recobrimento metálico.
  • Tipos de Galvanização: Existem vários tipos de galvanização, como, a fogo, a eletrolítica, a frio. Sendo um dos processos mais antigos e eficazes a zincagem por imersão a quente, ou mesmo galvanização a fogo. O objetivo básico e principal deste processo é impedir o contato do material base, o aço, com o meio corrosivo (SCHELLE, 1998).


 PROCESSO GALVÂNICO  
O processo galvânico consiste de uma sequência de banhos que envolvem as etapas de tratamento, pré-tratamento e por fim o revestimento.
O tratamento mecânico das peças atua na eliminação das irregularidades e aspereza da superfície metálica. A reação do metal com constituintes da atmosfera, como água e oxigênio, forma filmes de óxidos metálicos que devem ser removidos antes da etapa de recobrimento (SCHLESINGER; PAUNOVIC, 2000).
O pré-tratamento químico baseasse nos processos de decapagem e desengraxe. Esta etapa se faz necessário pois as peças devem estar sem imperfeições em sua superfície, bem como isentas de qualquer material que possa estar aderido as mesmas. A decapagem atua na remoção dos óxidos e ferrugem que se formam na superfície metálica, geralmente usando ácido sulfúrico ou ácido clorídrico diluídos (TOCCHETTO, 2004). O desengraxe tem como principal objetivo a remoção das substâncias gordurosas que possam estar aderidas nas peças a serem processadas. A qualidade dos revestimentos depende principalmente do estado da superfície a ser trabalhada (ABRACO, 2003).
Para que o material esteja apropriado para um revestimento eletrolítico, deve estar limpo, isento de graxa, gordura, de óxidos, de restos de tintas entre outras impurezas, não deverá ter falhas como, por exemplo, riscos, manchas, zonas requentadas, nem mesmo apresentar poros e lacunas (MARINELLO, 2010).
A presença de graxas, gorduras e pós-metálicos favorece a formação de manchas e consequentemente reduz a aderência da camada de recobrimento metálico. Grande parte destas impurezas vem das etapas de lixamento, furação, corte e polimento das chapas (TOCCHETTO, 2004).
O revestimento caracteriza-se pela utilização da eletrólise, transformando energia elétrica em energia química, fazendo assim, passar a corrente elétrica por algum material líquido (fundido) ou em solução aquosa a qual se chama de eletrólito. A peça que se deseja revestir ficará no eletrodo negativo (cátodo), no eletrodo positivo (ânodo) ficará a peça que desejasse revestir.

 DOS TIPOS DE TRATAMENTOS
O controle dos impactos negativos do processo, a partir da implantação de sistemas de tratamento, tem como objetivo principal prevenir o descarte de resíduos e outros poluentes gerados no decorrer do processo, que por sua vez possam comprometer a saúde e a qualidade ambiental. A instalação de estações de tratamento de efluentes líquidos é mais uma condição imposta pelos órgãos de fiscalização e regulamentação para licenciamento de empreendimentos com atividade galvânica (TOCCHETTO, 2004). Tais unidades representam custos às empresas e muitas vezes não oferecem segurança quanto ao cumprimento dos padrões definidos na legislação ambiental (TOCCHETTO, 2004).
Existem diversos tipos de tratamentos de efluentes contendo metal pesado, os tratamentos físicos como flotação, filtração, sedimentação, entre outros, dependem das características físicas do poluente, como por exemplo, viscosidade, tamanho e peso da partícula. Já o tratamento químico depende da natureza e das propriedades químicas dos contaminantes ou de seus reagentes inseridos, sendo que este processo pode ser realizado através de neutralização, precipitação, coagulação, troca iônica, dentre outros (ARAÚJO, 2005).
Dentre os principais tipos de tratamentos utilizados na indústria galvânica, pode-se citar a precipitação química, troca iônica (resinas), osmose inversa, extração líquido-líquido, filtração por membranas, cristalização e adsorção, coagulação/floculação, dentre outros (VAZ, 2009). 
Segundo Tocchetto (2004), entre os diversos tipos de tratamentos existentes, o físico-químico é o mais utilizado para efluentes galvânicos, devido seu baixo custo de operação. Cerca de 75% das industrias utilizam a precipitação dos metais para enfim tratar os efluentes produzidos, sendo um dos processos mais utilizados devido seu baixo custo de operação e simplicidade (VEIT, 2006). Segundo Perini (2014), este processo transforma as partículas menores em partículas maiores (lodo galvânico) passíveis de sedimentação, porém, este processo gera alta quantidade de lodo, o qual de acordo com a NBR 10.004 é considerado perigoso.

De acordo com Freeman e Harris (1998), este processo consiste em transformar as substâncias poluidoras em produtos pouco solúveis, os quais passam por uma separação por meio de decantação e, posteriormente são filtrados.
Efluentes com baixa concentração de metais dificultam o tratamento físico-químico (BSTSA, 2004). De acordo com Costa (2003), a precipitação exige altas concentrações de metais, 100 mg/L, e nem sempre se atinge os padrões exigidos, devido a possível interferência de ânions presentes no efluente.
Já os metais presentes na forma de cátions são precipitados como hidróxidos quando tratados com substâncias alcalinas como soda cáustica. Os ânions cromato e cianetos são tratados por meio de reações de oxirredução (TOCCHETTO, 2004). Os sólidos são separados da fração líquida por meio da sedimentação e posterior filtração (FOLDES, 1995). 
Segundo Bernardes (2000), alguns desses processos mencionados, como osmose inversa, colunas trocadoras de íons ou resinas de troca iônica, possibilitam a reciclagem do efluente tratado, bem como a consequente recuperação dos insumos. Entretanto, quando se trata de condições de operação e materiais utilizados, estes métodos de tratamento acabam sendo inviáveis (VAZ, 2009).

EQUALIZAÇÃO
A operação unitária onde o objetivo principal é minimizar ou controlar possíveis flutuações na vazão e nas concentrações do efluente, de modo que se possa atingir as condições ótimas para os processos de tratamento subsequentes dos efluentes da indústria (CAMMAROTA, 2012). De tal modo permitindo significativa melhora na eficiência do tratamento. Geralmente a equalização de efluentes é obtida através do armazenamento das águas residuais, geralmente em tanques de grandes dimensões, sendo bombeado para então a linha de tratamento (MOREIRA; CARVALHO, 2012).

NEUTRALIZAÇÃO
De acordo com Moreira e Carvalho (2012), os efluentes da indústria galvânica geralmente contêm elevadas cargas ácidas ou alcalinas, que requerem neutralização, esse processo deve ocorrer antes das águas contendo tais cargas serem submetidas a tratamento químico ou biológico, ou mesmo antes de serem descarregadas. A maioria dos processos de tratamentos necessitam que o pH do fluido a ser tratado esteja entre 6.5 e 8.5 no momento do descarte (MOREIRA; CARVALHO, 2012).
Normalmente, os efluentes que dão entrada neste tipo de operação são os efluentes da linha de redução do cromo hexavalente, oxidação de cianetos e restantes efluentes ácidos e alcalinos, com presença de metais pesados (CIMM, 2018).
De acordo com Moreira e Carvalho (2012), o processo de neutralização de efluentes alcalinos podem ser obtidos pela adição de efluentes ácidos, como por exemplo, efluentes com soda caustica ou cal, o que acaba sendo preferível devido seu baixo custo e também fácil operação, pode também usar-se ácido sulfúrico para que seja alcançado a neutralização. 

COAGULAÇÃO E FLOCULAÇÃO
O processo de coagulação/floculação é considerado como uma espécie de pré-tratamento para as etapas seguintes de tratamento de efluentes que tenham metais pesados (VAZ et al.,2010). A finalidade de tais processos é de transformar as impurezas em suspensão, em partículas maiores, para que de tal modo facilite a remoção por sedimentação, filtração, flotação (WEIHERMANN, 2015). Na figura 4 pode-se observar com grande clareza como ocorre a formação dos flocos.

Geralmente na coagulação química, são empregados coagulantes como (FeCl3) ou (A12(SO4)3), com forte agitação do efluente, com intuito de desestabilizar eletricamente as partículas de sólidos, facilitando assim sua aglomeração (SABESP, 2013). Como as partículas são maiores nos coloides, isso acaba acarretando um uma velocidade maior de sedimentação, impossibilitando-lhes a remoção por decantação direta. Devido a essa razão, necessita-se a coagulação dos efluentes com tais características (MELO, 2016). Ao empregar os coagulantes sulfato de alumínio ou cloreto férrico para coagulação em uma faixa de pH 5 a 9, os cátions destes compostos acabam produzindo produtos com baixa solubilidade – hidróxido de alumínio Al (OH)3 e hidróxido de ferro Fe (OH)3 (MAIA; OLIVEIRA; OSÓRIO, 2003).
Segundo Richter e Azevedo (2003), a floculação consiste na aglomeração de tais partículas por meio de transporte de fluido, o que acarreta na formação de partículas maiores para que assim possam sedimentar. A velocidade nesta fase é lenta, podendo proporcionar condições para a aglutinação das partículas. Outro fator importante na etapa de clarificação do processo de tratamento do efluente, consiste na dosagem correta dos agentes coagulantes e floculantes (MELO, 2016). Por meio de alguns testes é possível realizar tal determinação, como por exemplo, o teste de jarra (jar-test), pode-se determinar, de acordo com as condições da água bruta, a dosagem ideal destes agentes (FABRIS et al., 2014).
Os sais de ferro (agentes coagulantes) neutralizam cargas negativas dos coloides, formando hidróxidos insolúveis de ferro (PAVANELLI, 2001). Já os sais de alumínio são agentes inorgânicos não biodegradáveis, agregam elementos químicos ao lodo (CRUZ, 2005).
Por esses sais oferecerem perigo ao meio ambiente, desta forma sendo indesejáveis, se faz necessário a busca por coagulantes ambientalmente menos poluentes (VAZ, 2010).

IMPACTOS AMBIENTAIS
Segundo Tocchetto (2004), identificar os impactos ambientais, pode fornecer informações que permitam modular a atividade produtiva e consequentemente reduzir o impacto aos ecossistemas, desse modo influenciando e preservando a qualidade ambiental. Para se analisar as atividades, é necessário um conhecimento profundo dos produtos, serviços e processos, podendo posteriormente resultar em um aumento significativo da eficiência da organização (VERSCHOOR; REIJNDERS, 1999).
Para determinar os impactos ambientais é necessário enfatizar que as organizações devem considerar os aspectos relativos a emissões aéreas, despejos líquidos, gestão de resíduos e contaminação do solo, além de aspectos que que se relacionam diretamente com as suas atividades, serviços e produtos (ZOBEL; BURMAN, 2003).
As empresas devem estabelecer estratégias preventivas para redução dos efeitos da poluição, exige-se que tais empresas façam diagnóstico de sua situação ambiental. Sendo assim, cada vez mais interessante e necessário a incorporação da variável ambiental ao sistema de gestão das empresas (DONAIRE, 1995).
Já é sabido que as composições dos banhos de revestimento metálico apresentam altas concentrações de metais pesados, que consequentemente contaminam as águas de lavagem, gerando grandes volumes de efluentes líquidos a serem tratados (TOCCHETTO, 2004). Na indústria galvanoplástica as principais fontes geradoras de efluentes líquidos provem de águas de lavagem e soluções com eficiência esgotada, como decapantes, ativadores, desengraxantes e banhos galvânicos, que geralmente chegam ao fim de sua utilidade com grandes taxas de concentrações de metais considerados pesados (TOCCHETTO, 2004). Arsand (2001), enfatiza que os metais pesados presentes nos efluentes, estando acima dos limites que a legislação ambiental impõe, podem ocasionar alterações histológicas ou morfológicas nos organismos.
O lodo galvânico, é considerado um resíduo perigoso de acordo com a NBR 10004, assim sendo, deve ser disposto em aterros específicos para resíduos industriais perigosos (ARIP). Devido à alta concentração de metais pesados presentes em tal lodo, o mesmo representa riscos de contaminação de lençol freático, águas superficiais e solo (PINTO, 2012). Consequente o local temporário de armazenamento deve oferecer condições seguras para o confinamento do lodo, até que o mesmo seja devidamente encaminhado ao tratamento e/ou à disposição final (TOCCHETTO, 2004).

DISPOSIÇÕES LEGAIS
É uma garantia Constitucional a proteção e defesa do meio ambiente, de modo que vários dispositivos infralegais foram criados visando a preservação dos recursos naturais. Esses dispositivos refletem o pacto de proteção estabelecido entre os entes políticos da Administração Pública, o que significa que não apenas cabe à União, mas também a todos os Entes Federativos o dever de proteger o meio ambiente.
O direito a um Meio Ambiente equilibrado é direito, aceito por grande parte da doutrina, de 4º geração. Significa que, atualmente faz parte do grupo de direito inerentes à condição humana que deve receber proteção universal, sendo, portanto, direito difuso e coletivo.
A Constituição Federal, em seu Capítulo VI, trata do meio ambiente. Em seu artigo 225 trata, desde logo, esclarece que é um direito pertencente a todos, sendo um bem de uso comum, ou seja, que independe de autorização para exercê-lo, e essencial à sadia qualidade de vida. In verbis:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

 No entanto, mesmo se tratando de um bem de uso comum, não significa que a exploração dos recursos naturais não se sujeita a controle Estatal.
No que tange à instalação de indústrias, tem-se, como principal dispositivo legal de controle a Lei nº 6803/80, que trata do zoneamento industrial nas áreas críticas de Poluição.
O referido dispositivo legal dispõe logo em seu artigo 1º que, a instalação de indústrias deve obedecer a um esquema de zoneamento urbano, aprovado por lei, a fim de se compatibilizar as atividades industriais com a proteção ambiental.  Trata-se reflexo do que determina o Decreto Lei nº 1413/75 que dispõe sobre controle de poluição do meio ambiente provocado pelas indústrias.
Art. 1º As indústrias instaladas ou a se instalarem em território nacional são obrigadas a promover as medidas necessárias a prevenir ou corrigir os inconvenientes e prejuízos da poluição e da contaminação do meio ambiente.
Parágrafo único. As medidas a que se refere este artigo serão definidas pelos órgãos federais competentes, no interesse do bem-estar, da saúde e da segurança das populações.

Como já mencionado, as medidas suscitadas no parágrafo único do artigo primeiro do decreto lei nº 1413/75 podem – e devem – ser promovidas tanto a cargo da União, através da criação de órgãos federais de controle e leis federais sobre a matéria, quanto a cargo dos entes federativos, através de normas infralegais e, também, criação de órgãos de controle e repressão.
O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) é principal órgão de controle ambiental brasileiro, que estabelece parâmetros federais que visam regular a exploração do meio ambiente.
Atualmente são inúmeras as leis que tratam da matéria ambiental, tanto a nível federal, quanto a nível estadual e municipal. A legislação ambiental brasileira, inclusive, é considerada pela comunidade internacional, como a mais completa, embora na prática, por vezes, se encontre descumprimentos.
A Resolução nº 430/2011, expedida pelo CONAMA, dispõe sobre as condições e padrões de lançamentos de efluentes. Na seção II, são definidos condições e padrões de lançamento desses efluentes, de modo que a depender do caso concreto, o descumprimento pode vir a ser enquadrado como crime ambiental, nos moldes da Lei nº 9605/98.
Paralelo à proteção ambiental, é importante destacar também que o legislador manifestou preocupação com o trabalhador quando do descarte de resíduos industriais, que resultou, entre outras, na edição da Norma Regulamentadora nº 25.

CONCLUSÕES
Foi possível observar de forma clara no decorrer do primeiro capítulo, os processos que ocorrem nesta indústria, podendo também entender a origem dos efluentes de tal indústria, concluiu-se que as indústrias desse ramo são geradoras de altas quantidades de efluentes, que por sua vez carregam altas taxas de concentrações de metais pesados, necessitando assim de sistemas de tratamentos para tais efluentes e também implantação de sistemas de gestão ambiental.
Já no segundo capítulo foi mostrado diversos tipos de tratamentos de efluentes, bem como suas características, foi possível concluir que, tais métodos de tratamento são eficazes, desde que, implantados de forma correta de acordo com o objetivo a ser alcançado e natureza do poluente. Concluiu-se também que, dentre os diversos tipos de tratamentos, o mais utilizado pelas industrias deste ramo, é a precipitação química, que apesar de ser um processo relativamente barato, tem o inconveniente de gerar grande volume de lodo, sendo este um lodo químico.

REFERÊNCIAS

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* Bacharelando do curso de Engenharia Química – Faculdade Pitágoras de São Luís/MA. E-mail: pedrocavalcante17@hotmail.com


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